Plágio ou referência?

Uma das grandes questões enfrentadas pelos designers é tomar cuidado no momento da criação para não cometer um plágio enquanto utiliza referências, mas onde termina um e começa o outro?

Uma etapa importante no momento da criação de um projeto gráfico é a busca e utilização de referências, isso é importante para que o designer conheça as tendências do que já foi projetado e também para buscar inspiração em outros artistas e trabalhos. As vezes ficamos tentados a fazer um trabalho quase que integralmente baseado em referências, acabando assim por cometer o crime de plágio.

Plágio – s.m. – ação do plagiário, cópia, mais ou menos disfarçada, de obra alheia (dicio.com.br)

No mundo em que vivemos atualmente, onde não há limites para a informação, é quase impossível criar algo 100% original. Pensar em algo nunca antes pensado ou fazer um projeto inovador, com conceitos inéditos e formas nunca antes utilizadas é algo extremamente difícil, quase impossível.

Mesmo que você tente criar algo sem tomar como referência nenhum outro projeto, seu cérebro irá automaticamente conduzi-lo a uma solução baseada em elementos familiares ou em objetos já vistos por você ou mesmo em situações já vividas.

Um caso marcante que me recordo foi o da marca das Olimpíadas de 2016 que foram realizadas no Rio de Janeiro, a marca criada por Fred Gelli sofreu acusações de plágio devido a grande semelhança com outra marca, a da Telluride Foundation, uma organização americana não-governamental.

Referência, plágio ou coincidência?

Gelli explicou que a marca teve o acompanhamento dos maiores especialistas em marcas justamente para evitar algum tipo de conflito que pudesse caracterizar um plágio, mesmo assim Gelli afirma que ele e a equipe que participou da criação da marca nunca viram antes a marca da Teluride Foundation.

Então como podemos criar um projeto utilizando referências sem correr o risco de cometer um plágio? Realmente a linha que separa a referência do plágio as vezes pode parecer não muito definida mas seguindo algumas técnicas é possível referenciar seus trabalhos sem cometer uma cópia descarada.

Vou citar como exemplo de como projetar utilizando referências um dos grandes arquitetos da atualidade: Santiago Calatrava consegue projetar seus edifícios usando como referência e inspiração elementos da natureza como animais e estruturas ósseas, isso acabou se tornando a principal característica dos projetos de Calatrava.

A estação ferroviária de Lyon projetada por Calatrava teve como referência a arraia manta
Embora eu esteja citando como exemplo um arquiteto, o que desejo ressaltar aqui é o processo criativo que o faz chegar as suas soluções, seus projetos derivam de formas primitivas e ele utiliza a estrutura de elementos da natureza de uma forma única o que resulta em uma identidade muito forte em seus projetos. Com essa forma de criação fica mais difícil de seu projeto vir a se parecer com algo já criado.
O edifício “Turning Torso” que tem como referência a coluna vertebral humana
croqui do “Turning Torso”

Para evitar constrangimentos, principalmente no meio profissional, deixe sempre claro quem são os profissionais que são suas principais fontes de referência. Na defesa de seus projetos mencione os trabalhos e artistas que lhe serviram de inspiração, nunca tente parecer que você criou algo sem utilizar nenhuma referência afinal de contas todo mundo sabe que nada surge do nada.
Boas maneiras no designAo utilizar uma fonte de referência procure identificar quais são os elementos que marcam a “identidade” da logo, imagem, pintura ou qualquer outra coisa que você esteja utilizando como referencia e procure fugir de representar algo semelhante a esses elementos. Busque dar ao seu projeto formas e cores diferentes dos elementos que lhe servem como referencia afim de que você obtenha formas novas que lembrem suas referências e não que sejam cópias descaradas das mesmas.

Esses são apenas alguns conselhos e idéias sobre como projetar fugindo da armadilha de cometer um plágio.

Para finalizar esse artigo gostaria de deixar uma frase do dramaturgo americano Wilson Mizner para nos ajudar a refletir sobre esse assunto.

“Quando se rouba de um autor, chama-se plágio; quando se rouba de muitos, chama-se referência. “

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