Manual do mundo mostra como são feitos os cadernos

O Manual do mundo, um canal dedicado em experimentos e curiosidades publicou um vídeo mostrando como são feitos os cadernos. O vídeo mostra todo o fluxo de trabalho, desde a preparação da arte até o acabamento. Um prato cheio para quem quer aprender um pouco mais sobre produção gráfica.

Abaixo eu descrevo alguns momentos-chave do vídeo para você não ficar perdido caso não esteja familiarizado com os pormenores do processo. Confira:

0:15 – Os esboços mostrados foram feitos no Photoshop com as ferramentas de desenho (pincéis).

0:36 – A diagramação pode ser feita tanto no Illustrator quanto no InDesign (Ou até mesmo no próprio Photoshop), depende do tipo de projeto, quantidade de páginas e até da preferências do designer.

0:51 – A prova de impressão geralmente é feita em uma impressora digital de alta definição. Existem equipamentos especiais para prova que simulam a saída que terá na máquina offset. Depende de cada fluxo de trabalho.

1:00 – Para garantir que as cores sejam as mesmas tanto na tela do computador quanto na impressora, são necessárias cuidados especiais que chamamos de “gerenciamento de cores”. Onde todos os equipamentos envolvidos no processo são calibrados e configurados com perfis de cores (Perfis ICC), garantindo que todo mundo vai representar igual as cores no processo.

1:25 – As amostras de cores que ela está segurando são da escala PANTONE, uma marca patenteada de sistema de cor que visa garantir que as cores que você seleciona serão exatamente aquelas que você está vendo impressas no papel ou na tela. Mas as cores PANTONE, no caso do vídeo, foram usadas apenas como um referencial, já que são cores pré-fabricadas (igual as que compramos para parede) e exigiriam um baldão daqueles de tinta para cada cor diferente no trabalho. Mas no restante do vídeo ela mostra a impressão em processo CMYK. Que veremos mais a frente.

1:29 – No processo de impressão Offset CMYK, são usadas 4 chapas para a impressão colorida, uma para cada cor (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto) que quando misturadas formarão todas as demais cores que veremos no impresso. Estas chapas geralmente são feitas de alumínio, são flexíveis e cobertas por material sensível à luz.

1:50 – A revelação das chapas pode variar bastante de acordo com o equipamento da gráfica. Pode ser gravada digitalmente, pelo computador, em um processo comumente conhecido por CTP ou gravada através de fotolitos e uma mesa de luz, num processo bem parecido com o de telas para serigrafia.

2:00 – Os poros são o que chamamos de retículas, uma série de pontinhos responsáveis por armazenar a tinta e criar o resultado de transição de cor (meio-tom) quando as demais cores CMYK são sobrepostas no papel.

2:12 – A lente se chama conta-fios e serve para avaliar a densidade da retícula. Quanto maior a densidade (quanto mais pontinhos juntos) mais tinta será usada naquela área. A qualidade da imagem também é determinada pela retícula, onde quanto menores e mais definidos forem os pontinhos, melhor será a qualidade da impressão. É o que chamamos de resolução de saída ou lineatura.

2:45 – As cores que vemos naqueles quadradinhos são chamadas “barra de calibragem colorida”, é uma escala de cores impressa em cada folha que assegura a reprodução correta das cores. Também existe a escala de densítometro que servem para testar a densidade das imagens de meio-tom.

3:05 – Tecnicamente a transferência da tinta para o papel é feita por meio de repulsão da tinta da chapa, que é passada para a blanqueta (borracha mostrada no vídeo) e depois gruda no papel. Funciona assim: A chapa é constantemente umedecida por água, a tinta é gordurosa e não gruda na chapa molhada. Esta tinta é então transferida para a blanqueta. Quando o papel passa pela blanqueta, a tinta então gruda no papel.

3:41 – A impressora mostrada neste momento parece ser uma offset de 4 cores, Ela é capaz de imprimir as 4 cores necessárias simultaneamente. Observe que é possível ver as torres de impressão: uma torre de impressão para o magenta, e outra torre de impressão para o amarelo. Quando ela gira a câmera, dá pra ver a torre de impressão do ciano e do preto mais à frente. Máquinas menores, geralmente usadas por gráficas de pequeno porte só tem uma torre, então é necessário imprimir cada uma das 4 cores separadamente em um processo bem mais demorado e trabalhoso.

3:55 – Um pote de tinta para impressão offset na cor ciano.

4:12 – A camada de plástico é comumente chamada de laminação.

4:30 – Quando ela levanta a capa para a câmera é possível ver que apenas algumas partes da imagem brilham. Isso acontece não por causa da laminação (que cobre o papel inteiro) mas sim pela aplicação de verniz localizado, que é aplicado em um processo bem semelhante ao de impressão.

5:25 – Aqui é possível ver as 4 torres de impressão ao mesmo tempo, amarelo, magenta, ciano e preto.

5:40 – A mistura das cores é feita justamente pela sobreposição das retículas das chapas de impressão. Quando a chapa ciano é impressa na página, vários pontinhos de cor ciano são impressos. Depois, quando a chapa de amarelo é impressa na página, os pontinhos de cor amarela se sobrepõem aos pontinhos azuis começando a criar o efeito de meio-tom. Quando todas as chapas são impressas, os pontinhos de cada chapa sobrepostos criam o efeito ótico colorido. O tamanho, posição e quantidade de pontinhos de cada cor em uma área pode criar uma variação de milhões de cores, criando assim a impressão colorida que conhecemos.

5:45 – Até este ponto, as impressoras que vimos são do tipo Plana (imprimem o papel cortado). Neste momento então vemos um rolo de papel que é usado em outro tipo de impressora, a impressora Rotativa. Ela usa bobinas de papel e são muito rápidas.

5:50 – Os parques gráficos podem acoplar uma linha de produção gigantesca a impressora rotativa, tornando todo o processo automático, interligando vários tipos de equipamentos entre si através de esteiras e braços mecanizados (impressora, guilhotina, separador, perfuradora, encadernadora, etc).

7:10 – Não apenas confetes de papel sobram no processo, durante o corte e acabamento, muito papel acaba indo para a reciclagem, ele pode ser usado para as mais diversas finalidades, uma delas é a produção de papel texturizado ou reciclado, que pode voltar para a gráfica de novo para a impressão de outros tipos de trabalho.

7:43 – Prensas são muito comuns em vários processos gráficos. Livros, talões de notas, recibos e notinhas geralmente ficam em prensas durante o processo de secagem da cola. Em gráficas de pequeno porte também se usam pesos de metal para fazer o trabalho de prensagem.

Se você quiser aprender mais sobre produção gráfica, não deixe de conferir a nossa série oficial clicando aqui.

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Este post tem 2 comentários

  1. Curuiz. Mas ela mostrou uma gráfica gigante. Eu conheço um pessoal que tem clientes para cadernos e tudo feito em gráficas pequenas e cheio de pessoas ao invés de máquinas automatizadas.

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