Cor #2: Teoria tricromática

Como a luz cria a impressão de cor na mente? No início do século 19, Thomas Young, físico inglês que viveu de 1773 a 1829 postulou que o olho devia conter receptores compostos de partículas que oscilavam com comprimentos de onda de luz específicos.

Imagine a quantidade de cores que enxergamos e a quantidade de partículas que seriam necessárias para reproduzir todas estas cores. Parece impossível, não é mesmo? Seria necessário um número infinito de partículas.

Young previu que não eram necessárias tantas partículas para que pudéssemos ter a percepção de cores, em vez disso, descobriu através de investigação (a experiência com prismas que vimos no post anterior) que as seis cores do espectro poderiam ser reduzidas em três cores básicas.

Inicialmente a teoria tricomática de cores de Young identificou o vermelho, amarelo e azul como sendo as três cores necessárias, mas posteriormente ele trocou o amarelo pelo verde. O cientista alemão Hermann von Helmholtz prosseguiu nos estudos da teoria de Young e propôs que o olho continha apenas três tipos de receptores de cor, que respondiam mais fortemente aos comprimentos de onda vermelho (R), verde (G) e azul-violeta (B).

Na década de 1960, cientistas conseguiram confirmar a existência dos receptores descritos por Young e Hermann, uma série de cones divididos em três tipos sensíveis a comprimentos de onda específicos, correspondentes ao vermelho (570 nanômetros), ao verde (535nm) e ao azul (425nm).

A luz entra no olho através da pupila e é concentrada pelo cristalino na retina, onde estimula os bastonetes e os cones. A informação sobre o que estamos vendo é transmitida ao cérebro pelo nervo óptico.

Dentro da retina, existe um arranjo complexo de células especializadas que processa a informação dos fotorrecptores (bastonetes e cones). Cada tipo de cone é responsável por processar uma cor (vermelho, verde ou azul). Você pode observar na imagem abaixo que há poucos cones azuis, o sinal deles é reforçado de alguma maneira para desempenhar um papel mais ou menos igual na visão colorida, mas não sabemos ainda como isso acontece.

A combinação das três cores primárias da luz para recriar o espectro inteiro hoje é conhecida como mistura aditiva. Partindo de uma ausência de luz (escuridão, preto), a luz de cada cor primária é adicionada para produzir tons progressivamente mais claros, variando a proporção de cada uma para criar tons diferentes. Quando temos todas as três cores juntas, formamos a cor branca.

Você pode ver a mistura aditiva em ação em qualquer dispositivo eletrônico, como monitores, TVs, celulares. Eles basicamente usam luz (leds, diodos ou lâmpadas) nas cores vermelho, verde e azul, e as misturam para reproduzir as cores na tela.

Imagem ampliada dos diodos de um monitor de computador

Apesar de a teoria tricromática de Young e von Helmholtz explicar muitas observações sobre a cor, ela deixava muitas questões em aberto. Nos anos 1870, Ewald Hering, um contemporâneo de von Helmholtz, estudou a impressão subjetiva da cor.

Ele assinalou que o amarelo, supostamente produzido por uma combinação de verde e vermelho na verdade era percebido como uma cor elementar (cor primária). Teoricamente deveríamos enxergar uma mistura de vermelho e verde, algo como um “verde-avermelhado” ou “vermelho-esverdeado”. Ele então descobriu que somos fisicamente incapazes de visualizar estas combinações.

Isso o levou a rejeitar o modelo tricromático em favor de um sistema de quatro sensações cromáticas: amarelo, vermelho, azul e verde, mais preto e branco, que geram cores por um processo de oposição.

Pesquisas subsequentes demonstraram que tanto a teoria tricromática quanto a teoria do processo de oposição estão corretas. Elas lidam com o que acontece em diferentes etapas do processamento visual no olho e no cérebro.

Portanto, sistemas cromáticos baseados em ambos os modelos ainda são usados por cientistas, artistas, ilustradores e designers, e cada sistema mostra-se adequado a diferentes fins.

A cor no mundo real é reconstituída pelo olho e pelo cérebro humanos por meio das três faixas estreitas de comprimentos de onda a que são sensíveis os cones da retina. Por exemplo, vermelho e verde, em proporções iguais, produzem amarelo, vermelho e azul produzem magenta, verde e azul produzem ciano.

Proporções diferentes produzem variações infinitas. Combinar as três cores igualmente resulta em cinza neutro, que em seu brilho máximo, é branco.

Este texto faz parte da nossa Série Sobre Cores. Clique no link e veja todos os artigos.

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