Produção Gráfica #27 – Impressão Offset

O processo de impressão planográfico Offseet ou apenas “offset”, como é carinhosamente chamado pelos profissionais da área de impressão ou criação, é um dos métodos mais utilizados por designers e produtores gráficos atualmente (se desconsiderarmos a grande quantidade de impressoras domésticas que existem). Ele é o principal processo de impressão desde metade do século 20.

Este artigo faz parte da série Produção Gráfica. Clique no link e leia todos os capítulos que já foram publicados.

É um processo cuja essência consiste em repulsão entre água e gordura (tinta gordurosa). O nome offset, que significa “fora do lugar” vem do fato da impressão ser indireta, ou seja, diferente do que aprendemos na impressão Litográfica, a tinta não sai da matriz direto para o papel, ela passa antes por um cilindro intermediário, chamado de blanqueta.

Ao tornar a impressão litográfica “fora do lugar”, ou seja, ao torná-la indireta, os problemas que existiam antes foram drasticamente reduzidos, uma vez que a blanqueta filtra o excesso de tinta e de água, evitando que o papel fique ensopado, manchado, etc.

Diagrama da impressão litográfica industrial

Todo o processo acaba tornando a impressão mais cara. Entretanto, este custo é dissolvido devido a sua grande tiragem. Hoje em dia, com as novas tecnologias, os processos analógicos já não são mais tão utilizados, dando lugar aos CTP’s, que agilizam o processo e geram menos material como fotolito etc.

Esta é uma impressora Offset de uma cor

Montagem

Os equipamentos de impressão offset mais comuns utilizam vários cilindros (muitos mais do que no processo litográfico) para garantir uma melhor distribuição da água e da tinta. A chapa de alumínio, que é flexível e contém a imagem a ser impressa é montada na impressora no cilindro porta chapa. Cada chapa é usada para transferir uma cor das quatro cores básicas de impressão (CMYK).

Para impressão colorida é necessário o uso de várias chapas, uma para cada cor, em geral, Ciano, Magenta, Amarelo e Preto, que proporcionam a mistura dos pontos de retícula. Em casos onde é necessário o uso de uma cor especial, como prateado, dourado ou cores Pantone, faz-se necessário o uso de mais chapas.

Diagrama simplificado do sistema de impressão offset

A impressora precisa também estar preparada para imprimir em série o número de cores necessário. Isto é importante para manter o registro entre as diferentes tintas usadas no processo.

Existem impressoras offset que imprimem apenas uma cor (imagem acima), exigindo mais mão de obra e tempo para impressão colorida. A impressão acontece da seguinte forma (em uma visão simplificada):

  1. O impressor monta a chapa da cor Ciano na máquina. Imprime todas as cópias do material nesta cor.
  2. Depois o impressor precisa retirar a chapa ciano, lavar a máquina para retirar toda a tinta dos rolos e então montar a chapa seguinte, geralmente com a cor magenta.
  3. Todo o material que havia sido impresso em ciano então volta para a máquina para receber a segunda cor.
  4. Este processo se repete até que todas as cores CMYK sejam impressas, uma a uma, gerando o efeito colorido através do meio tom graças as retículas de cada chapa.
Impressora offset de quatro cores

Impressoras de 4 cores ou mais agilizam este processo, tornando possível imprimir todas as cores em sequência de uma única vez, dispensando a necessidades de troca de chapas e lavagem da máquina, agilizando bastante o processo.

Veja abaixo um vídeo que mostra todo o processo de impressão offset, desde a gravação das chapas até a impressão e acabamento.

Impressão

Tanto nas impressoras rotativas, onde o papel entra em bobina, como nas impressoras planas, que usam o papel já cortado, o sistema funciona de maneira rotativa. Uma série de cilindros conduzem tanto a tinta quanto o papel.

A impressão é feita de forma indireta, o cilindro onde a matriz (chapa) foi montada é mantido úmido por rolos umidificadores. A tinta também é transferida para este cilindro, como ela é de base gordurosa ela se concentra nas áreas lipófilas e é ao mesmo tempo repelida pela água que se concentrou nas áreas hidrófilas do cilindro.

A tinta então é transferida para um cilindro de borracha, chamado de blanqueta (ou “cauchu” ou “caucho”), que serve de intermediário para a impressão. Ele ajuda a manter o papel seco e ao mesmo tempo melhora a sobre-vida da chapa. O termo vem do espanhol (de origem peruana) caoutchou, que significa justamente, borracha. O verbo recauchutar (pôr ou repor borracha) tem origem em cauchu. Ao trocar a blanqueta os gráficos usam o termo cauchutar.

Embora possibilite uma excelente qualidade de impressão, o mecanismo offset é em realidade frágil, instável, sendo necessários ajustes frequentes durante a impressão para manter níveis adequados de tinta e umidade, tanto para evitar falhas e borrões quanto para manter a maior uniformidade possível dos tons das cores ao longo da tiragem.

Em sistemas mais antigos há ainda outros perigos, como o excesso de carregamento da tinta que leva a decalcagem: a imagem impressa com muita tinta em uma folha mancha ou cola no verso da folha seguinte. O excesso de umidade também poderá atrasar a secagem dos impressos, principalmente em locais onde o clima é muito úmido.

Retirar o material da gráfica sem que ele esteja seco é garantia de decalcagem e, consequentemente de perda do material. Um bom operador e um bom acompanhamento gráfico podem ajudar a evitar estes problemas. Em equipamentos mais modernos o controle da carga de tinta e umidade é eletrônico, garantindo resultados mais precisos e amenizando os problemas.

Veja abaixo mais um vídeo mostrando o processo de impressão offset. Neste vídeo você acompanha um processo de produção de chapa e de impressão mais antigos, usando fotolitos para a revelação das chapas.

Produção da chapa

Na impressão offset as chapas são as matrizes responsáveis por “guardar” a imagem que será transferida para o papel. Existem três processos mais comuns de preparo desta chapas. Elas podem ser produzidas por fotogravura, com a utilização de fotolitos ou por gravação digital, por dois processos conhecidos como CtP e CtPress, que serão abordados logo abaixo.

A composição das chapas virgens utilizadas varia de acordo com a forma de sua gravação. Na maioria dos casos, a chapa é produzida na própria gráfica onde é impresso o trabalho, para que o modelo utilizado seja adequado ao maquinário (diferentes impressoras usam diferentes tipos e tamanhos de chapa).

Numa mesma forma de produção, a aparência da chapa pode variar de acordo com o grau de sensibilidade, os elementos químicos utilizados e o modelo da impressora à qual ela se destina. Assim, as chapas têm coloração diferente, algumas são cinzentas, outras azuladas, outras esverdeadas ou amareladas, etc.

Essas colorações, porém, nada têm a ver com a cor que será obtida na impressão, apenas são um indicador de especificações técnicas. A cor da impressão é determinada pela tinta utilizada, e não pela cor da chapa ou por causa do fotolito.

Computer to film (do computador para o filme)

Também conhecida como “fotogravura”, foi uma das formas mais utilizadas até o fim dos anos 1990, quando surgiram os CtPs e CtPress. A maior característica da fotogravura é a necessidade do uso de fotolitos, dispensados nas outras formas de produção de chapas.

Geralmente feitas de alumínio, as chapas para a fotogravura são relativamente baratas se comparadas com o CtP, por exemplo. O custo para produção de chapas sempre deve ser adicionado ao orçamento cobrado pela gráfica.

A chapa é exposta ao fotolito (folha transparente com a retícula de cada cor de processo CMYK), a uma luz por um determinado tempo em um equipamento chamado “gravadora” ou “prensa de contato”. Este processo é similar ao da ampliação de fotografias e está submetido às mesmas limitações. O tempo de exposição precisa ser medido com precisão para não superexpor ou subexpor a imagem, comprometendo o resultado final.

Após a gravação (ou sensibilização), é feita a revelação. Nela, a chapa recebe um banho com elementos químicos, que reagirão tanto com as áreas da emulsão que foram expostas à luz quanto com as que não foram.

Este processo normalmente não inverte a imagem, como na fotografia, ou seja as partes que são expostas a luz se tornam hidrófilas e durante a impressão não acumulam tinta. Porém dependendo da cor da tinta e do material impresso é possível que seja necessário um fotolito negativo, em um processo que se assemelha bastante com o de serigrafia.

Veja a seguir um vídeo bem bacana explicando o que é um fotolito. Apesar de o vídeo ser preparado para serigrafia, o conceito é universal e se aplica também ao offset. A diferença é que fotolitos para serigrafia usam traço geralmente para uma única cor, e o offset usam retículas.

CTP – Computer to plate (do computador para a chapa)

CtP é o processo de produção das chapas usadas na impressão offset. A chapa é gravada através de laser, que é controlado por um computador, de forma similar às impressoras laser. Isto permite que a chapa seja gerada diretamente de um arquivo digital sem a necessidade da produção de um fotolito intermediário.

O CtP utiliza um equipamento denominado platesetter, de custo alto e que requer software específico, plataforma informatizada muito potente e mão-de-obra especializada. A produção dos CtPs é relativamente mais simples, sendo necessários apenas os cuidados comuns a todos os processos de saída digital.

Matrizes em CtP podem ser produzidas não apenas para offset, mas também para rotogravura e flexografia, utilizando, logicamente, os insumos adequados a cada um destes processos.

Este processo também garante o aumento da qualidade final da imagem gravada deixando a imagem perfeita. Existem métodos de gravação de chapas mais avançados, como o processo de gravação através de UV (Ultravioleta), que dispensam o laser.

A seguir mais um vídeo mostrando este processo.

CtPress – Computer to Press (do computador para a impressora)

O CtPress (comumente conhecido como offset digital) é um sistema de gravação da matriz offset na qual a “chapa” é gravada diretamente na impressora, sistema desenvolvido pela alemã Heidelberg, e atualmente utilizado por várias outras empresas. É basicamente uma impressora com uma platesseter embutida. A matriz é gravada a laser, e o sistema usado na impressora é o sistema waterless (impressão sem uso de solução de molha – água).

A tecnologia das chapas para CtPress é originária da driografia dos anos 60 (que conhecermos em outro artigo) também chamadas de chapas Toray. Toray é a empresa japonesa que desenvolveu a tecnologia utilizada atualmente. Elas são formadas por três camadas:

  1. A cobertura composta por uma película de silicone, que garante, inclusive, a propriedade waterless, já que rejeita a tinta gordurosa como a umidade no processo offset;
  2. Uma camada de fotopolímero no meio;
  3. Uma camada de poliéster ou alumínio na base.
Diagrama da estrutura de uma chapa CtPress

O fotopolímero é um plástico que é tratado para tornar-se fotossensível, expandindo-se e tornando-se mais rígido quando exposto à luz ultravioleta. Ele reage aos feixes de laser, produzindo as áreas lipófilas que atrairão a tinta. Durante a gravação, o silicone é eliminado nestas áreas.

A seguir confira um vídeo mostrando uma impressora que usa o sistema waterless.

A definição das imagens no processo CtPress é de altíssima qualidade, permitindo lineaturas bastante altas e resolução de altíssima definição. No entanto, as chapadas são muito sensíveis ao pó e arranham muito fácil.

Não é possível obter as tradicionais provas de chapa no CtPress, visto que elas são gravadas imediatamente antes da impressão e uma das vantagens do processo é que elas já estão ajustadas na máquina neste momento, não podendo serem retiradas.

Entretanto, como não há um intermediário entre o arquivo original e a própria chapa (não há fotolitos), impressões realizadas a partir do próprio arquivo, antes da gravação, podem ser usados como provas de maneira confiável, desde que sejam feitas em equipamento próprio, as chamadas provas digitais.

Terminamos por aqui! Não se esqueça de acompanhar todos os artigos da série Produção Gráfica, e de conferir também os links de referência abaixo. Nos vemos no próximo post.

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Este post tem 3 comentários

  1. Me ajuda
    Como eu faço pra descobrir qnts chapas usar pra fazer tipo um catálogo ?

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