Gerenciamento de cores #2 – Conceitos iniciais de gerenciamento de cores

Para compreender o gerenciamento de cores é fundamental entender o seu fluxo, como os dispositivos interconectados são ajustados e calibrados para garantir o mínimo de fidelidade de cores em todo o processo de concepção de um projeto impresso. Neste artigo eu vou tentar esclarecer os primeiros termos técnicos que você precisa entender para aprender sobre gerenciamento de cores.

A cor exige um gerenciamento cuidadoso em um fluxo de trabalho digital porque cada dispositivo (câmera, scanner, monitor, impressora) interpreta e representa as informações de cor de forma diferente. Isso exige que o profissional de design, arte-final, pré-impressão ou produção gráfica conheça uma série de termos técnicos e sistemas digitais que são fundamentais para que o gerenciamento de cores funcione.

Tenha paciência, este artigo pode parecer complicado em alguns pontos, mas não se preocupe, à medida em que você for avançando os estudos de gerenciamento de cores, poderá voltar aqui e ler de novo com uma visão mais esclarecida, com certeza passará a compreender ricamente para quê toda esta informação serve.

Para isso é fundamental que você leia não só os textos aqui do Clube do Design, mas todos os links de referências que serão mencionados no decorrer do texto e que trazem mais detalhes sobre os temas abordados. Colocar tudo em um único texto só tornaria a leitura chata e cansativa e você deixaria de conhecer o trabalho incrível disponível em outros lugares sobre o assunto.

Este artigo faz parte da série Gerenciamento de Cores. Clique no link para ler todos os capítulos desta série.

Colorimetria

Colorimetria refere-se à ciência e à tecnologia usada para quantificar e descrever (pela ajuda de modelos matemáticos) as percepções humanas da cor. A percepção das cores pelos olhos não é um processo meramente visual, mas sim psico-visual. A cor é algo que se vê com os olhos e se interpreta com o cérebro, é o resultado da interação da luz com os materiais. – Fundamentos da colorimetria.

Gama de cores

Cada dispositivo normalmente emprega métodos diferentes para a especificação das cores, por exemplo, RGB para monitores e CMYK para impressoras (veremos mais sobre este assunto adiante). Cada dispositivo tem a sua própria gama, que é a série de cores que ele consegue representar, frequentemente definida como espaço de cores.

Gama de cores ou escala de cores, em inglês Gamut: Significa quais cores podem ser processadas por algum meio, seja ele um monitor ou uma impressora. Quando a expressão “fora de gama” é utilizada, significa que a cor não pode ser determinada com precisão em algum dispositivo. – Wikipedia

Quando especificamos em um software qualquer valor de cor RGB 225 50 50, por exemplo, é vermelho, mas sem o gerenciamento de cores muito provavelmente será um tom diferente de vermelho ao ser impresso em duas impressoras diferentes. Sem o gerenciamento de cores, esta cor também será exibida como um tom diferente de vermelho em monitores diferentes.

Modelos de cores

Um modelo de cores é uma mera forma de representar (codificar) uma cor. Por exemplo, o modelo de cores RGB informa que três canais, chamados Vermelho, Verde e Azul, são usados para representar qualquer cor. Os valores R (Red – Vermelho), G (Green – Verde), B (Blue – Azul) são normalmente chamados de coordenadas de cores, valores de cores ou canais de cores. O que um modelo de cores não pode fazer sozinho é estabelecer uma relação entre os valores das cores RGB e os valores LAB/XYZ absolutos. Em outras palavras, não se sabe o que RGB 255 0 0 significa, qual matiz exata de vermelho ele deve representar.

Modelos de cores RGB e CMYK ©Shutterstock
Modelos de cores RGB e CMYK

Espaço de cor

É impressionante que o olho humano possa perceber milhões de cores.  Também é impressionante o quão diferente é percepção de cores para cada indivíduo e como essas diferenças resultam em problemas, normalmente custosos, para fabricantes e seus fornecedores.  Então, como podemos avaliar e expressar  corretamente a cor de um objeto para outra pessoa usando uma linguagem uniforme e padronizada?

Um espaço de cor pode ser descrito como um método para se expressar a cor de um objeto usando algum tipo de notação, como os números por exemplo. A CIE Commission Internationale de l’Eclairage é uma organização sem fins lucrativos considerada como a autoridade na ciência de luz e cor, e definiu três espaços de cor, CIE XYZ, CIE LCh e CIE LAB para a comunicação e expressão das cores.

O espaço de cor LAB, também conhecido como espaço de cor CIELAB é atualmente o mais popular dos espaços de cores uniformes usados para avaliar as cores. Esse espaço de cor é amplamente utilizado pois correlaciona consistentemente os valores de cor com a percepção visual (como nó enxergamos as cores). Indústrias como as de plástico, tintas, impressão, alimentos e têxtil, além de universidades, utilizam este espaço para identificar, comunicar e avaliar os atributos da cor além das inconsistências ou desvios de uma cor padrão.

Para saber mais sobre este assunto, visite este artigo (é sério, leia o artigo!) e também este aqui. Veja também este aqui sobre ótica e teoria da cor que explica um pouco mais sobre o CIE LAB, depois volte aqui para continuar sua leitura.

Um espaço de cores é um modelo de cores mais a relação entre as coordenadas de cores desse modelo de cores e o espaço de cores absolutas, LAB ou XYZ. Por definição, LAB e XYZ são tanto modelos de cores como espaços de cores. Confuso? Na verdade, é simples: RGB é um modelo de cores; sRGB, Adobe RGB e ProPhoto RGB são espaços de cores que usam o modelo de cores RGB.

Como vimos, dizer que uma cor é RGB 255 0 0 não fornece muitas informações. Diz apenas que a cor é, espera-se, alguma tonalidade de vermelho. Dizer que uma cor é sRGB 255 0 0 define essa cor vermelha específica com precisão absoluta, uma vez que o espaço de cores sRGB estabelece a relação entre as coordenadas RGB 255 0 0 e as coordenadas absolutas da cor LAB 54 80 69.

Assim, eu posso dizer que existem diversos espaços de cores que se baseiam no modelo de cores RGB, da mesma forma que existem diversos espaços de cores que se baseiam no modelo de cores CMYK. Conhecer o modelo de cores me permite saber como estas cores serão representadas (RGB – Luz, ou CMYK – Tinta, por exemplo), conhecer o espaço de cores me permite saber exatamente como as cores vão se parecer.

Espaços de cores e sua relação com o papel Mate 2200
Espaços de cores e sua relação com o papel Mate 2200

Perfis de cores

No contexto do gerenciamento de cores, o perfil de cor tem a função de descrever detalhadamente como são as cores de um equipamento ou de um arquivo de imagens. No caso dos equipamentos, os perfis devem informar as características específicas das cores produzidas pelo dispositivo, registrando todas as peculiaridades e eventuais distorções presentes em cada equipamento.

Em linhas gerais, o perfil de cor é um mapa, um manual de instruções que dita como as cores são reproduzidas em um dispositivo. Desta forma, o perfil de cor de uma impressora dita como aquela impressora representa as cores, um perfil de cor de um monitor, determina como este monitor irá representar as cores, e assim por diante.

No caso de um arquivo de imagem, o perfil de cor pode ter duas funções distintas. Em primeiro lugar, o perfil anexado a um arquivo (como uma fotografia feita com uma câmera digital) pode refletir o equipamento que gerou o arquivo ou que será o destinatário do arquivo, uma impressora por exemplo. Neste caso as cores do arquivo serão fieis as características, limitações e imperfeições do equipamento.

De outro modo, se queremos editar o arquivo ou que o mesmo possa ser utilizado em vários equipamentos distintos, desejamos que o perfil de cores anexado ao arquivo seja livre de imperfeições e que seja compatível com um grande número de equipamentos. Quando um perfil reflete as características de um dispositivo específico dizemos que o perfil é dependente de dispositivo. De outro modo, quando o perfil pode ser usado em um grande número de situações, dizemos que ele é independente de dispositivo. Visite este artigo para entender mais sobre perfis de cores dependentes e independentes de dispositivos.

O gerenciamento de cores usa perfis de dispositivos compatíveis com ICC para compensar as diferenças de cores entre sí. (ICC significa International Color Consortium, a organização que define os padrões do gerenciamento de cores.)

Arquivos ICC (perfis de cores)

Perfis de dispositivo são pequenos arquivos de dados que descrevem matematicamente como um determinado dispositivo reproduz a cor. Um aplicativo habilitado para ICC (como o Photoshop) ou um sistema operacional (como o Windows) usa perfis para mapear cores com precisão entre dispositivos que tenham gamas diferentes, como ocorre com o seu monitor e a sua impressora. Se a configuração estiver correta, um fluxo de trabalho gerenciado por cor ICC poderá impedir a maioria dos problemas, como cores que são exibidas de um jeito na tela, mas no papel saem diferentes.

Os perfis de dispositivo estão disponíveis em três modelos — entrada (scanners, câmeras, etc.), monitor e saída (impressoras jato de tinta, impressão offset, etc.). O gerenciamento de cores exige que sejam criados perfis ICC para cada dispositivo na sua sequência de imagens, geralmente começando pelo monitor, depois impressoras, snaccers, e assim por diante.

Equipamentos de calibração

É possível determinar o perfil de cores de um monitor através dos olhos com aplicativos de software como o Adobe Gamma (que acompanha o Photoshop), mas o resultado não é preciso. Você pode obter perfis mais precisos utilizando equipamentos específicos para este fim, como os espectrofotômetros ou colorímetros. Os melhores kits de calibração para monitores não são baratos, porém um bom vale ouro.

Equipamento de calibração de monitor

Depois vem a impressora. A maioria das impressoras já vem com um perfil de cor ICC pronto e é instalado junto com o driver de impressão. Mas um perfil melhor pode ser criado usando equipamentos de calibração. Estes equipamentos usam um scanner de mesa para medir correções de cor em impressoras de teste e criar um perfil.

Eles constituem um bom ponto de entrada para a determinação de perfil de impressora. Sistemas como os Eye-One Pro com Eye-One Match, que medem as impressoras de teste com um espectrofotômetro, são os melhores (e mais caros).

Equipamento de calibração de impressora

A parte mais complicada vem depois: criar um perfil de entrada para a câmera digital. Esses perfis são criados fotografando um objetivo de teste, como por exemplo o GretagMacbeth ColorChecker, em conjunto com um software de determinação de perfil de câmera, que analisará os arquivos de imagem resultante. Para gerar um bom perfil, é preciso obter o equilíbrio de branco da câmera e a luz do objetivo exatamente corretos.

Objeto de teste para calibração de câmeras

Depois de gerados os perfis, basta configurar o sistema operacional (como o Windows) e os aplicativos usados para edição (com o Photoshop) para que o fluxo de trabalho esteja completo e o sistema de gerenciamentos de cores funcional.

Os perfis de cores são portáteis. Você pode incorporá-los às imagens e eles indicarão a quem abra a imagem como mapear precisamente as cores da imagem em seus próprios monitores e impressoras. Normalmente, você converterá as imagens para o espaço de cores de trabalho no Photoshop e irá incorporar esse perfil. É claro que isso depende também de quem irá receber estes arquivos, de nada adianta você editar um arquivo, incorporar um perfil de cores, se quem vai recebê-lo não possui equipamentos calibrados e um sistema de gerenciamento de cores funcionando.

O gerenciamento de cores nem sempre garante precisão perfeita e uma cor consistente. Nenhum sistema conseguiria, principalmente porque a tecnologia de cor – elétrons em um CCD, fósforo na tela, tinta no papel – é muito variada. Além disso, configurar corretamente um fluxo de trabalho gerenciado por cor é uma tarefa difícil.

Mas o gerenciamento de cores é a única maneira para se aproximar de uma cor perfeitamente consistente e isso o poupará de incalculáveis dores de cabeça e um tempo precioso. Vamos continuar estudando, e nos próximos artigos destrinchar cada ponto, cada assunto, cada nomezinho difícil para entender como tudo funciona.

No final você será capaz de pelo menos entender o que precisa para gerenciar suas cores, mesmo que não tenha dinheiro para implementar um sistema de uma hora pra outra. Não perca os próximos posts.

Referência: Introdução ao gerenciamento de cores

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