Qual o momento certo para me tornar freelancer

Você já escolheu como quer trabalhar quando se tornar um freelancer, e já sabe qual o perfil ideal para alcançar o sucesso, agora precisa decidir o momento certo para seguir em frente, largar o emprego e se aventurar no mundo freelancer.

Muitas pessoas acham que devem ser freelancers quando estiverem ganhando o mesmo ou até mais do que ganham com o seu emprego assalariado. Mas vamos avaliar algumas coisas antes de uma resposta concreta.

Trabalhei durante 8 anos como arte-finalista em uma gráfica. Depois do 3º ano trabalhando exclusivamente para a gráfica, comecei a receber algumas propostas para trabalhos por fora. Alguns clientes me procuravam para fazer projetos específicos e queriam dedicação diferente da que eu podia oferecer na gráfica, onde ele enfrentaria uma fila enorme até que eu pudesse iniciar o trabalho dele.

Comecei a trabalhar em casa no período depois do trabalho, chegava às 19h, tomava um banho, jantava, e às 20h eu começava os jobs freela, trabalhando até umas 23h a 1h da manhã. Então a minha carga diária de trabalho começou a ser bem puxada e cansativa.

Depois eu recebi proposta para lecionar em algumas escolas da região, o que me obrigou a escolher entre jobs de produção gráfica ou as aulas. Escolhi dar aulas, já que era algo novo e que eu gostaria de adquirir experiência. Novamente a carga horária era dura, eu dava aulas todos os dias depois do trabalho até as 20h30, quando chegava em casa ainda dava conta de alguns jobs que havia pegado por fora.

Aos sábados e domingos a rotina era ainda mais puxada. Eu dava aulas no sábado das 8h às 16h (gráficas não trabalham no sábado, coisa de sindicato), com uma pausa de 15 minutos entre uma turma e outra para comer ou ir ao banheiro. Aos domingos tinha turmas que iam de 8h às 15h, era um inferno.

Então eu comecei a sentir o peso desta rotina puxada, eu já não tinha mais o mesmo desempenho no trabalho, vivia com sono, não conseguia me concentrar, estava decaindo e me tornando um profissional nada produtivo. Comecei a prestar mais atenção nos jobs freela do que no trabalho na gráfica, foi então que eu resolvi sair.

Como você pode ver, eu cheguei a um ponto em que: ou eu largava o trabalho, ou eu largava os freela. Para mim a escolha foi fácil, já que eu não queria mais ficar em um escritório preso o dia todo e fazendo algo que eu já não gostava.

Mas vamos com calma, se você está pretendendo fazer o mesmo, perceba que para eu largar o emprego eu trilhei um caminho que me permitiu ter os recursos necessários para assumir a carreira freelancer.

Experiência e portfólio

Freelancer ©Shutterstock
Freelancer ©Shutterstock

Durante o tempo em que eu trabalhei na gráfica, 8 anos, eu construí um portfólio consistente, os anos de experiência e o contato com diversos clientes só foi possível por causa do meu trabalho. A rotina diária me permitiu construir o meu perfil profissional, trabalhando o meu atendimento, o meu relacionamento com as pessoas e me permitiu entender muitas coisas sobre o que é ser um empresário independente.

O convívio com profissionais de outras áreas, impressores, atendentes, jornalistas, médicos, empresários, e outros clientes, foi fundamental para que eu adquirisse experiência e me tornasse referência entre as pessoas da minha região. Isso só foi possível, repito, graças aos 8 anos de trabalho assalariado, de onde eu absorvi o máximo que pude em experiência de mercado.

No final das contas eu tinha uma rede de contatos muito boa, e um portfólio que já era conhecido dos próprios clientes, já que eu era quem os atendia e eles conheciam muito bem o meu trabalho.

Networking

É justamente aí que começa o que chamamos de networking. Como eu me tornei conhecido, e os meus clientes conheciam o meu potencial, criei uma rede de contatos que confiavam no meu trabalho, e que passaram a me indicar para colegar e outras empresas mesmo antes de eu decidir me tornar freelancer. As pessoas chegavam no meu local de trabalho e solicitavam especificamente que eu fizesse o seu atendimento.

O período em que dei aulas também me ajudou a criar habilidades únicas, como a de me expressar com muita facilidade e de conseguir transparecer a experiência que eu tinha sem qualquer ruído. Isso também me ajudou a construir uma rede de contatos ainda mais ampla e diversificada.

A hora de decidir

Com o caminho preparado, e com os recursos necessários para começar como freelancer independente, eu tomei a decisão. Conversei com meu chefe, expliquei que eu já não tinha mais interesse e nem pique para continuar o trabalho na gráfica, e que o melhor seria eu abandonar o emprego e seguir o meu caminho.

Eu já tinha equipamento e um cantinho em casa para trabalhar. Então eu troquei o escritório de uma gráfica pelo trabalho em casa atendendo meus próprios clientes e expandindo cada vez mais a minha rede de contatos.

Qual o momento certo para me tornar freelancer?

Se você acabou de sair da faculdade ou não tem experiência alguma com a profissão que deseja seguir, o ideal é que você procure uma vaga em uma empresa, e adquira experiência como um profissional assalariado.

Eu não recomendo que você entre de cara como freelancer, seria como mergulhar em um oceano cheio de tubarões sem saber nadar. Você vai se afogar, ou até mesmo ser devorado antes mesmo de conseguir mexer os braços.

Então o momento certo é aquele onde você possui experiência, um bom portfólio e uma rede de contatos confiável. Claro que isso não é uma regra, mas é sempre bom ouvir a voz da experiência. Até o próximo post!

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Este post tem 0 comentários

  1. Olá Liute, acompanho seu trabalho a alguns anos, e vc sem dúvida é uma referência nessa área, eu trabalho em gráfica a uns 10 anos, e agora estou terminando minha faculdade de design gráfico (no fim do ano) e na gráfica onde trabalho (a mais de 2 anos), já deu o que tinha que dar, na vdd antes de entrar nela já pensava em seguir como freela, mas entrei lá só para garantir o pagamento do curso. O que acontece, é que todo dia que levanto, me sinto como se tivesse indo pra forca, quando chega domingo a tarde, já bate a tristeza, simplesmente não tem nada de bom nesse serviço, não existe perspectiva e nem espaço para crescimento, não consigo aplicar os conhecimentos do curso, por não existir uma estrutura consistente de trabalho, trabalho sobrecarregado, sozinho, fazendo arte, fechando arquivos, enviando para fazer o CTP, atendo os clientes no e-mail, no telefone, pessoalmente, recebo dinheiro, passo cartão, e claro, até café tem que fazer se quiser tomar algo pra tentar animar pra enfrentar o dia.
    Não existe pedido, nem briefing e as vezes nem prova, e quando tem eu mesmo que tenho que conferir, e claro nesse turbilhão de coisas, sem nada documentado, as vezes passa algo, e a culpa é sempre toda minha, até o salário anda atrasando, e esses não são os únicos problemas da empresa.
    Não pensei em ir pra outra empresa por conta de que já tenho essa ideia e vontade de ser freela, por várias razões, uma delas é por causa que seria difícil conciliar o serviço com o local onde moro e onde estudo.
    Sendo assim minha ideia é trabalhar como freela, e assim que tiver uma certa estabilidade me mudar para o interior ou para o sul, pois conseguindo trabalhar em casa pela internet, posso buscar um local mais tranquilo e mais acessível para morar, pois moradia aqui esta muito cara, e não oferece qualidade de vida que busco, pois não vejo vantagem em pagar 200 a 300 mil num ape de 50mt² (o que acho muito caro) pra passar um inferno todo dia pra ir e voltar ao trabalho, fora poluição, assaltos e tudo mais.
    Como sei desenhar um pouco, pretendo ir fazendo trabalhos de design e de ilustração, melhorando em ambos, mas buscando trabalhar só com ilustração no futuro, não tenho um portfólio top, nem peguei os arquivos para mim dos trabalhos que fiz na gráfica, preciso trabalhar mais nisso, mas tenho vários trabalhos do curso que só precisaria arrumar a apresentação, e já estudei bastante sobre freelancer nesses anos, então eu sinto que só preciso botar a mão na massa, mas devido ao curso não consigo fazer as 3 coisas ao mesmo tempo.
    Também, acho difícil conseguir um acordo no serviço, mesmo assim estou bolando o discurso para fazer essa tentativa, que se falhar, terei que pedir as contas. O que acha de tudo isso? (desculpa se escrevi demais) Abraço e sucesso!

    1. Hemerson, eu me vi totalmente no seu comentário. É incrível a semelhança entre o que você descreveu e o que eu vivi nos meus últimos anos como arte-finalista. Acho que a diferença fica no fato de o meu chefe ser “melhor” que o seu. rsrsrsrsr, ele pelo menos queria que eu ficasse, embora eu já não enxergasse perspectiva de crescimento ali. Eu não sei qual é a sua situação, mas eu falei um pouco sobre a minha aqui neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=worgyrbxyDA&list=PLBgSZOd1Ka-yhvznEA3gV4Jq55ud3pEZr&index=5
      Eu, é claro, sempre tive alguma fonte de renda extra, e isso foi importante para eu decidir virar freelancer. Mas se você já tem alguns contatos, e acha que pode começar com segurança, vai fundo! O sucesso só depende de você mesmo.
      Um abraço!

      1. Olá Liute, obrigado pelo comentário, eu me lembro desse vídeo, já vi a maioria dos seus vídeos e sempre indico pra galera que ta começando, vc é 10.
        Pois bem, infelizmente não tenho uma segunda fonte de renda, mas com o atraso nos pagamentos e falta de perspectiva de melhora da empresa em si, acho uma boa pedida pular do barco antes que afunde, mesmo sem ter um bote salva vidas, rsrsrs, além disso não sou um cara muito gastão, e não tenho dividas, acho que já ajuda né? pois a administração financeira pessoal e da empresa é parte fundamental de quem busca ser freelancer, tem que poupar, e jamais gastar mais do que ganha, vejo por ai que a maioria das pessoas entra em desespero quando o pagamento atrasa, ta sempre no limite da conta e do cartão, paga o mínimo, pega empréstimo, compra coisas pagando juros e por ai vai, justamente por não se prevenir e pensar no longo prazo, creio eu que pessoas assim não servem para ser freelancer.
        Tenho vários clientes no meu celular e pegar mais contatos não seria difícil, a questão é que vários deles são amigos do chefe o que os torna um tanto que fieis, e eu nunca tive muito papo com a grande maioria, não creio que daria muito certo, mesmo porque boa parte não são o perfil de clientes que busco, pois lá tem muito dessa história de não cobrar a arte, mas depois quando o cliente pede, as vezes da treta, os clientes ficam com a ideia que a arte não vale muita coisa, e reeducar essa turma seria uma tarefa árdua.
        Mas todos os problemas parte do próprio dono, que trabalha no mesmo jeito de 30 anos atrás, não tem mente aberta, e nem busca a melhora de si prórpio ou da empresa, ele acha que os clientes são dele, e já vi reclamando quando um concorrente entra na jogada, chamando-o de atravessador, (acho que ele não conhece a palavra concorrência) são tantos problemas que não cabe nesse post, mas a culpa nunca é dele, muita gente já saiu por conta de tretas que ele tem com os funcionários e as vezes até com clientes, ate a irmã dele pediu pra sair.
        Estou num projeto com o professor e mais dois alunos, e caso de certo eu vou pular fora, mas mesmo que não de, penso em pular fora antes de terminar o semestre, para que eu possa aproveitar mais o curso e para estar aberto a mais oportunidades. Nem as férias eu peguei, pois não tem ninguém pra me substituir, realmente só falta o chicote, o que o Ikki de Fênix passou e fichinha perto de tudo isso, rsrs
        Hoje mesmo estava anotando os projetos que tenho para colocar no portfólio e creio que já está ótimo para um começo, porem o trabalho vai ser em arrumar a apresentação, feito isso creio que basta eu correr atrás que serviço vai aparecer, também penso em investir no youtube, não pra ganhar grana, mas sim como ferramenta para conseguir mais clientes, um site também é obrigatório, mas mesmo tudo dando errado, gosto de pensar que quando o desespero e grande o empenho é o dobro, rsrs
        Muita gente reclama da crise, que de fato está ai, mas na crise também tem oportunidade, e não adianta nada ficar reclamando e não fazer nada, ou esperar resultados diferentes fazendo a mesma coisa.
        Eu nunca vou esquecer o que um dono de uma gráfica disse (não entrei lá por causa da distancia), um tempo antes de entrar nesse inferno, digo serviço, ele disse que agente tem que trabalhar com alegria, e de fato são poucos que conseguem isso. E é somente isso que busco, trabalhar com satisfação, acreditando naquilo que está fazendo, quando vc trabalha assim creio que vc se empenha mais e os resultados chegam, agente tem que aprender a curtir mais o processo, pois a vida é um processo e o final é a morte. agora chega de filosofar, desculpe por escrever muito, (de novo) rsrs
        obrigado, e parabéns pelo seu trabalho, abraço!

        1. Hemerson, você está certíssimo. Um adica que te dou e que sempre dá muito certo pra mim: invista no seu cliente! Trate-o como um amigo e sempre assuma que o problema dele é o seu problema. Resolva o problema dele usando a perspectíva de que isso é a sua obrigação! Quando você constroi uma rede de clientes baseada em confiança, nunca vai ficar sem emprego.
          Muito sucesso na sua jornada. Um forte abraço!

          1. Muito Obrigado! pode contar que farei o possível para ter o um ótimo atendimento, hoje estou dando uma trabalhada no meu Behance que até então não tinha nada, mais pra frente arrumo um jeito de te mostrar, agente se fala pelas redes sociais, te desejo muito sucesso, tenho certeza que vc já ajudou muita gente com seu trabalho, um forte abraço pra vc tb! até+

  2. Ótimo post, muito inspirador, eu estou no momento bem diferente, comecei na área de designer sem nada, sem instrução, simplesmente por gostar. cheguei a trabalhar na área como designer e editor de imagens, mas devido a faculdade acabei por abandonar um pouco, detalhe, faculdade de Letras, mas agora quero tentar conciliar os dois. Tentar o Freela, e pensando em fazer publicidade, já que gosto muito da área de designer, edição de fotos, criação e até edição de vídeos. Que me diz?
    Obrigado pelo post, era o conselho que eu precisava pra voltar pro designer.

    1. Esqueci de dizer, mas pode ser importante se for me dá algum conselho, tenho 21 anos

    2. Oi Pedro, que bom que tem interesse em seguir uma carreira criativa. O meu conselho é que não tente entrar no mercado sem experiência. Pelo que entendi, você não tem qualquer formação técnica na área, o que pode prejudicar o seu nome antes mesmo de você aparecer no mercado. Meu conselho é que busque um curso superior ou técnico, e desenvolva a sua carreira do jeito certo. Eu recomendaria cursos voltados gráficos, como design gráfico, produção gráfica, design de jogos, etc. Os cursos de publicidade não vão te ensinar a criar, não é papel do publicitário. Você se especializa em publicidade, e não em design gráfico, o que é completamente diferente. A maioria das pessoas que conheço, e que são formadas em publicidades, seguiram para a área de atendimento, e sempre solicitam o trabalho de um designer para executar os seus trabalhos. Isso não é uma regra, já que no curso de PP você também vê produção gráfica, mas o foco do curso é outro.
      Um abraço!

  3. Muito bom, estou querendo abrir uma pequena empresa com mais dois sócios, com pouco investimento, mas acreditando no meu trabalho. tenho um pouco de experiências de alguns estágios em agências, começar aos poucos para ir investindo mais na empresa, esse texto me ajudou a decidir de certa forma um rumo. Obrigado. Mesmo sem ser uma referência aqui. 🙂

    1. Que bom Luis! Espero realmente que este seja o momento certo pra você e seu sócio, e que consigam o sucesso na carreira!
      Um abraço!

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