Tipografia básica #5 – A anatomia dos tipos

Não sou um perito em tipografia, muito menos alguém que sabe o suficiente sobre elas a ponto de ensinar-lhe as mais secretas artes de desenhar letras e famílias tipográficas inteiras. O objetivo desta série é aprendermos juntos o que for possível sobre tipografia e como utilizá-las melhor em nossos trabalhos criativos. De maneira nenhuma quero te ensinar como “desenhar” letras, ou tudo o que você precisa saber para fazer isso, mas assim como alguém que deseja aprender mais a fundo sobre esta arte, conhecer o básico sobre a anatomia das letras é fundamental para que possamos entendê-los (os tipos) e utilizá-los da maneira correta.

Assim como um motorista precisa aprender o básico sobre a mecânica do seu veículo para compreender o seu funcionamento, o designer ou produtor gráfico precisa dominar o mínimo sobre tipografia para conseguir explorar o seu potencial em prol de seus projetos. No artigo de hoje vamos aprender um pouco sobre a anatomia dos tipos, analisar os seus elementos básicos a fim conhecê-los e sermos capazes de ao menos conceituá-los. No final deste artigo, como de costume, deixo alguns links que podem servir para você se aprofundar um pouco mais nos estudos.

Vou usar como referência para a apresentação dos elementos da anatomia do tipo a obra de Gavin Ambrose e Paul Harris, Tipografia, da série Design Básico, e o trabalho publicado pela Joana Lessa, da Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve, o link para o download do arquivo em PDF está no final deste post.

A anatomia é o ramo da biologia no qual se estudam a estrutura e organização dos seres vivos, tanto externa quanto internamente. No nosso caso, a anatomia dos tipos servirá para estudar a estrutura e a organização dos tipos. O que é uma serifa? O que é um ascendente? Um descendente? Termos comuns na tipografia e que passarão a ter um significado claro a partir de agora. Com base no livro Tipografia, construí um cartaz apresentando a estrutura dos tipos, denominando cada uma das partes que os compõe. Você pode baixar o cartaz em JPG de alta qualidade formato A3, clicando na imagem abaixo.

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Você também pode baixar o arquivo em PDF e editável em .cdr no link abaixo.

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A definição dos termos aplicados numa área implicam um esforço de sistematização, tendo em vista a adequação, a coerência, e melhor relação objeto-palavra dentro de uma língua. A estabilização dos termos que de seguida iremos utilizar, foram resultado do cruzamento da diversidade recolhida ao longo da prática lectiva e de investigação, desde 1999 até o momento, a partir de autores e manuais de tipografia, considerados legitimamente validados pelo reconhecimento de editoras e autores, da recorrência dos termos, da comunhão entre termos em línguas distintas.

Foram assim, reunidos termos originais nas línguas inglesa, francesa, e castelhana, principalmente, e convertidos numa linguagem que consideramos adequada ao contexto e ao uso. Considera-se que até o momento conseguimos estabilizar um conjunto fundamental e útil para a identificação, comunicação e trabalho em questões tipográficas. Sendo esta como outras áreas do conhecimento, alvo de contínuas atualizações, entende-se que este processo continua a ser alvo de afinação.

1-Anatomia dos Tipos-rev

Traço: Refere-se especificamente à parte diagonal de letras como N, M ou Y.  Hastes, barras, braços, bojos, etc. são chamados coletivamente de traços de letra.

Filete: O traço mais fino de um tipo que tem várias espessuras. Pode ser claramente identificado em um v ou a.

Laço: Traço que encerra, ou encerra parcialmente, a contraforma em uma romana. Às vezes é usado para descrever as partes cursivas do p e b.

Apoio: A parte curva da serifa, que se conecta com o traço.

Estresse: Direção na qual um traço curvo muda de peso.

Queixo: A parte angular terminal do G.

2-Anatomia dos Tipos

Ápice: Ponto formado na parte superior de um caractere, como A, onde o traço da direita e o da esquerda se encontram.

Ombro ou Corpo: Arco presente em h ou n.

Terminal: Descreve o acabamento de um traço. Arial tem terminais retos, sem decoração; já Times New Roman tem terminais agudos. Outras variações incluem teminais alargados, convexos, côncavos e arredondados. Esse últimos têm acabamentos circulares, também conhecidos como “remates”.

Vértice: Ângulo formado na parte inferior de uma letra onde o traço da esquerda e o da direita se encontram, como no V.

Ascendentes e descendentes: O ascendente é a parte de uma letra que se estende acima da altura-x; um descendente avança abaixo da linha de base.

Perna: O traço mais baixo inclinado em direção à linha de base de K, k e R. Às vezes é usado para a cauda do Q.

3.2-Anatomia dos Tipos

Serifa: Pequeno traço no final de um traço principal vertical ou horizontal.

Espinha: O traço curvo da esquerda para a direita em S e s.

Braço: Traço horizontal que é aberto em uma ou ambas as extremidades,
como visto em T, F, E e também o traço ascendente do K

Cauda: O traço descendente de Q, K ou R. Os descendentes de g, j, p, q e y também podem ser chamados de cauda, assim como o laço do g.

Ligação: A parte que junta os dois bojos do g com dois andares.

Orelha: O lado direito do bojo do g, e o final de um r ou f, por exemplo.

4-Anatomia dos Tipos

Haste: O traço principal vertical ou diagonal de uma letra.

Travessa: O traço horizontal em A, H, T, e, f e t.  Às vezes é chamado de trave. Uma travessa cruza uma única haste.

Bojo: A contraforma é o espaço vazio dentro dos traços de uma letra, e está rodeada por um bojo. A contraforma pode ser chamada de olho no caso da letra e.

Trave: O traço horizontal em A e H. Uma trave une duas hastes.

Forquilha: O local onde a perna e o braço de K e k se encontram.

2-Anatomia dos Tipos

A seguir alguns links para você continuar os estudos:

Nos vemos no próximo post!

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