Como me tornar um designer #6 – Por onde começar? Autodidata!

Pra quem estava pensando que havíamos abandonado esta série, olha a gente aqui de novo! Demorou mas estamos de volta com mais um artigo da série Como me tornar um designer. Hoje vamos falar sobre uma modalidade de aprendizado bem comum nos dias de hoje, o autodidata.

Já conversamos bastante nos artigos anteriores sobre como você pode se tornar um profissional de design qualificado estudando em escolas técnicas ou cursando o nível superior. Com o avanço tecnológico e sobretudo da internet, se qualificar não é mais um privilégio apenas para quem frequenta estas modalidades tradicionais de ensino. Já temos inclusive cursos superiores que funcionam basicamente na internet.

Desta maneira não é de se admirar que muita gente consiga uma boa posição no mercado de trabalho sem nunca ter estudado em nível técnico ou superior, pelo menos não formalmente. O estudo informal através de pesquisas, cursos livres, workshops ou feiras também é uma excelente maneira de você se capacitar, e é sobre isso que vamos falar hoje.

Muitas pessoas ficam espantadas quando digo que nunca fiz nem um cursinho de informática sequer. É verdade, eu nunca precisei estudar sobre Windows, informática ou até mesmo sobre arte-final e impressão. Mas isso não quer dizer que as coisas caíram do céu ou que fui abduzido por alienígenas que implantaram o conhecimento na minha cabeça. Muito pelo contrário, foi com muito estudo, dedicação, força de vontade e também um bocado de ajuda que consegui me tornar um profissional qualificado.

Qualquer pessoa tem esta capacidade, a capacidade de aprender por conta própria. Eu aprendi lendo livros, participando de seminários, conversando com profissionais e também praticando. Praticando pra caramba, aliás! O começo de minha carreira não foi nada fácil, para alguém que precisava editar imagens e não conhecia sequer uma ferramenta de edição o negócio era complicado. Foi quando meu primeiro chefe resolveu comprar alguns livros (daqueles de bancas de revistas sabe) para eu ler e tentar aprender alguma coisa que fosse útil para o ambiente onde eu trabalhava.

Este foi o estopim para a minha carreira. Eu gostei tanto de ler e de praticar que não parei mais desde então. Eu mesmo passei a procurar livros, revistas, sites e qualquer coisa que pudesse me ajudar a me aperfeiçoar ainda mais. No começo eu fazia como muita gente faz hoje, só queria saber de Photoshop, CorelDRAW, Illustrator, não ligava nem um pouco para design, aliás, eu nem sabia o que era design. Aprender desta forma não me prejudicou nem um pouco, mas isso porque eu continuei estudando e continuo até hoje.

Ser um autodidata não quer dizer que você aprende as coisas no ar, sem esforço algum. É certo que eu sempre tive interesse em computadores e qualquer coisa ligada a informática, internet, essas coisas. Isso facilitou muito o meu aprendizado pois eu fazia o que eu gostava. Mas a jornada não foi assim tão fácil, é preciso ter dedicação e disciplina, tais como teríamos se estivéssemos frequentando uma escola de verdade.

Como ser um autodidata?

Se você acredita que não tem vocação para faculdade, fazer um curso técnico também está fora do seu orçamento, ou o tempo que você tem não lhe permite estudar por causa do trabalho, família, etc, você pode muito bem tentar ser um autodidata. Mas observe que isto pode ser mais difícil do que as demais modalidades de ensino.

A vantagem de se tornar um profissional autodidata é a liberdade que você tem em trilhar o seu próprio caminho, de escolher quando e como quer estudar. Sendo assim, separei uma lista de fontes de informação que podem lhe ajudar a ser um autodidata e a crescer em sua jornada rumo a profissionalização:

  • Livros e revistas
  • Internet
  • Feiras e Seminários
  • Cursos livres e profissionalizantes

O ideal é que você disponha de todos estes itens no seu gabarito de estudos, isso vai lhe ajudar bastante no futuro, seja pela sua carga horária de estudos comprovados (certificação) ou seja pelo seu nível de conhecimento técnico e teórico.

Livros e revistas

A maior fonte de conhecimento até a era da internet eram os livros e as revistas. Quem sou eu para dizer que hoje não é assim? Existem milhares de livros sobre design e computação gráfica em bibliotecas, livrarias e bancas de revistas. Uma das minhas principais fontes de conhecimento eram livros que falavam sobre edição de imagens, revistas que mostravam a rotina de trabalho de profissionais criativos e que davam dicas de impressão e técnicas de gerenciamento de cores.

Os livros podem se tornar os seus parceiros de jornada no crescimento e na formação profissional. Você não pode carregar consigo um notebook debaixo do braço o tempo todo, um livro sim, ele não precisa de energia elétrica e pode ser aberto em qualquer lugar sem que você precise se preocupar com bandidos querendo roubá-lo (a menos que eu esteja do seu lado).

Internet

Não há desculpas para você não estudar se tiver um computador conectado à internet. Quem me dera na minha época de estudo eu tivesse acesso a sites como o Design.Blog, o Choco la Design entre tantos outros disponíveis e que são a melhor referência em design e criatividade atualmente. Ou quem sabe se eu tivesse acesso a um Clube do Design?

Editora de fotos que trabalha no computador ©Shutterstock
Editora de fotos que trabalha no computador ©Shutterstock

A internet é sem dúvidas um lugar onde você pode encontrar de tudo, desde tutoriais até artigos acadêmicos que irão lhe ajudar a crescer rapidamente. Sem falar na grande quantidade de cursos oferecidos exclusivamente pela internet, como os cursos da Cursos 24 Horas onde você pode aprender sobre os principais aplicativos de edição gráfica, ou aprender sobre marketing e publicidade.

Não poderia deixar de mencionar a tão querida Criativosfera, que é a escola de design online que revolucionou o cenário brasileiro, oferecendo a possibilidade de qualquer pessoa aprender design a partir da internet. Os leitores do Clube ganharam um desconto especial que você podia resgatar aqui, mas que já foi finalizado.

Feiras e seminários

Tenha como rotina pesquisar sobre feiras e seminários que acontecem na sua região. Estes eventos reúnem pessoas que tem os mesmos interesses que você, sem contar nos profissionais que estão presentes dispostos a colaborar e compartilhar conhecimento. Feiras, seminários e workshops também são o melhor lugar para começar a reunir contatos profissionais para futuros projetos.

Designers fazendo brainstorming em seu escritório ©Shutterstock
Designers fazendo brainstorming em seu escritório ©Shutterstock

A certificação distribuída nestes seminários é excelente adicional que ficaria muito bem em seu currículo.

Cursos livres e profissionalizantes

Se você pensa que ser autodidata é estudar 100% por conta própria, está enganado. Os cursos livres e profissionalizantes devem fazer parte da sua rotina de aprendizado. Há conhecimento técnico e teórico que é melhor absorvido se bem explicado, e nada melhor que a pro-atividade de uma sala de aula para fazer você assimilar melhor certos conteúdos. Os certificados são alguns dos benefícios deste tipo de estudo.

Seguindo estes conselhos você tem o caminho traçado para crescer profissionalmente, bastando apenas trilhá-lo e se dedicar o máximo que puder. Uma coisa você precisa ter em mente, o mercado de trabalho infelizmente não vê o autodidata com bons olhos, as empresas estão mais preocupadas com o que você tem pendurado na parede do que com o que tem dentro da sua cabeça. Por isso é importante, além de estudar, procurar experiência profissional, não fique parado acreditando que as oportunidades vão aparecer sozinhas. Corra atrás, garanta uma vaga como estagiário ou aprendiz, isto lhe tornará um profissional ainda mais competente e respeitável.

Quando não ser um autodidata

Existem muitas coisas boas em ser um autodidata, mas também há motivos para você não escolher esta carreira. A informalidade será a sua pior inimiga, você estudou, tem conhecimento profissional suficientes, mas não tem como provar isto. Uma empresa dificilmente vai se arriscar a contratar alguém que “diz” ter experiência se tiver como alternativa um universitário ou uma pessoa que comprova a sua experiência através de certificados.

Além disso, há também o fator “perseverança”. Nem todo mundo consegue resistir ao tempo que é preciso para ser um profissional que aprende por conta própria. Estudar sozinho exige muito esforço, sem falar que um pouco de ajuda e sorte acabam sendo fundamentais no seu crescimento. Fazer bons contatos é sempre o “coringa” para você dar passos firmes nos degraus do mercado de trabalho.

Portanto, se você tem a oportunidade de trilhar uma faculdade ou um curso técnico, agarre-a. Tenha certeza que eu gostaria muito de ter me formado e ter tido a experiência de fazer faculdade. É algo que realmente pesa no meu currículo. Mas isso não quer dizer que uma pessoa formada tenha a mesma competência que um autodidata. Mas assim como há bons profissionais formados, há péssimos autodidatas.

Nos vemos no próximo post!

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Este post tem 14 comentários

  1. Me dá dicas de livros? Gosto MUITO da área! E sempre fui autodidata em diversos assuntos. Obrigada

    1. Bianca, eu vou montar uma “estante” aqui no site com as minhas dicas de leitura, livros e blogs. Vai aparecer alí no menú, mas eu te aviso. 😉

  2. Liute posso me tornar ou até mesmo me titular um autodidata acompanhando o “Clube do Design” ?
    Pois ja atuo na área da criação sendo auxiliar da criação e acrescento conhecimento na minha área ao buscar mais no “Clube do Design”.
    Você Liute Cristian tem sido inspiração para mim para carreira da qual quero seguir ( ser um Designer ).
    Desde que conheci o blog “Clube do Design” e sabia que vc que postava a maior parte do conteúdo e que este conteúdo era de crescimento na área gráfica fiquei surpreso e adorei as ideias aqui passada .
    Tenho absorvido muito conhecimento e tenho recebido elogios graças ao que eu aprendi aqui porém não me atrevo a dizer que sou arte finalista ou até mesmo Designer pois nunca fiz curso faculdade ou nada do tipo, só crio o que eu sei. Quero saber as técnicas de criação para ter valor a arte que faço acha que pode me ajudar?

    1. Olá Samuka, tudo bem?
      Um autodidata é alguém que aprende algo por sí mesmo, utilizando apenas os recursos que tem ao seu alcance, sem necessariamente um “professor”, vamos dizer assim. Então, você pode ser autodidata em muitas coisas. Você pode encontrar muita coisa legal aqui sobre design, arte-final e criatividade, mas não seria honesto em lhe dizer que tudo o que tem aqui lhe tornará um profissional, não estamos nem perto disso. Você precisa ler, estudar, pesquisar, não só aqui, mas em outros sites, livros, cursos presenciais, workshops, feiras, etc, além de, é claro, adquirir experiência colocando tudo o que aprendeu em prática, no mercado de trabalho.
      Isso tudo fará você se tornar um profissional, e sem dúvidas, por ter aprendido tudo com garra e força de vontade, poderá se dizer um autodidata. Não que isso seja algo “superior” a qualquer outra modalidade de estudo, é apenas um caminho árduo e difícil, que embora não seja para muitos, também pode te ensinar a ser um profissional qualificado.
      Um abraço!

  3. Muito obrigado Liute, ótimo texto!!!

  4. Muito bom o artigo, à algum tempo eu não fazia a mínima idéia que iria se tornar um design, foi quando um colega falou que tinha tutoriais na internet ensinando como fazer, comecei a pesquisar em pouco tempo fiquei respeitado no mundo dos designs, graças a internet e alguns livros, e observando as artes dos outros, se eu poder deixar alguma dica para quem pretende iniciar essa carreira é a seguinte, muito gente pensar que ser design é conhecer o corel e photoshop, mais esse é apenas o menor passo da carreira para o design, o mais complicado vem depois, quando o cliente diz eu quero uma arte para minha empresa, e vc abre o corel ou o photoshop e ver apenas uma página em branco, ou seja devemos desenvolver principalmente nossa capacidade de criar, de desenvolver, não encher uma fachada de figura e fontes incoerentes, e sim com poucos traços criar uma arte, Obrigado!

  5. Pamela quando fiz faculdade(web design) tinha a ilusão que só com ela eu poderia arranjar um estagio fácil, eu tinha 18 anos(muito imatura aliais) na época e só recebia não como resposta, os anos se passaram e consegui finalmente um emprego em uma industria gráfica. Admiro os Gráficos nesse ponto, a maioria dos proprietários ensinam o que sabem mesmo se a pessoa não tem experiencia. Agora a maioria é com você mesma, muita pratica até chegar no nível desejado. Agora farei uma nova graduação, para me especializar na área de Design Gráfico com mais maturidade em saber no que realmente quero.

    1. Obrigada por você compartilhar a sua experiência. Pois é, é continuar lutando par se ter o que quer!

    2. Excelente, vocês podiam publicar algo sobre a faculdades de design ou publicidade, melhores regiões, qualidade e abrangência. Seria interessante, assim como você Aline também tenho interesse de me especializar na área de Design Gráfico.
      valew

  6. Olha foi espetacular os seus artigos desde o primeiro até o sexto, parabéns. Mas eu acho que ainda dá tempo de você fazer uma faculdade, ok. Sucesso.

    1. Oi Hildo, quando eu fiz este texto, eu já cursava a faculdade de marketing, e antes, tinha optado pelo curso de sistemas de informação, ambos à distância. Parei no quinto semestre por causa de tempo, mas voltarei assim que possível.
      Um abraço!

  7. Super legal! Gostei do artigo.
    Eu faço faculdade de Design mas no entanto, a faculdade é muito conceito e parte teórica. Eu ainda não consegui estágio porque não tenho as exigências do mercado como softwares( Illustrator, In Design, etc,) e fico aborrecida. Vou acabar mesmo tendo que fazer curso online para me aperfeiçoar. É sugado!

  8. Curti D+ a matéria, melhor ainda foi o retorno, parabéns no aguardo das próximas….

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