A Desvalorização do Design Gráfico

O mercado de trabalho está cada vez mais concorrido, e quando a mão de obra está em alta os preços costumam ficar reduzidos, mas será que esse é o verdadeiro causador da desvalorização do design gráfico?

Para mim existem vários fatores que contribuem para que o trabalho do designer não tenha o devido valor como antes. Tempos atrás algumas faculdades criavam projetos para que os alunos saíssem com uma boa experiência, esses projetos eram feitos da seguinte forma:

  1. A faculdade selecionava algumas empresas da cidade que precisariam desse tipo de trabalho.
  2. O trabalho era repassado para os alunos que o executavam de graça apenas em busca de uma experiência real na área.

Era um projeto muito interessante, porém vamos parar para pensar, se quando estou para me formar faço um trabalho de graça assim como todos os meus colegas de classe, e de seis em seis meses isso ocorre, onde conseguiremos clientes se todos já foram atendidos e não precisam mais de nós? E os poucos que ainda precisam estarão dispostos a pagar por um trabalho que podem ter de graça? A resposta é bem óbvia, não!

Vamos para uma segunda etapa, um jovem empreendedor tem uma brilhante idéia para ganhar dinheiro através do design, ele cria um site onde o cliente posta seu pedido e paga um valor especifico que pode ser a mais se for do desejo do mesmo (coisa que raramente acontece), e assim vários designes e não designers enviam suas propostas sem nenhuma certeza de que iram receber algo por isso e assim o projeto é iniciado. Após varias artes enviadas o cliente tende a escolher entre uma delas, e então o criador em questão recebe uma parte do pagamento e o site a outra. Aos olhos do cliente isso é brilhante, ele paga um valor muito abaixo do mercado, pode avaliar os projetos de vários designers sem obrigação de aprová-los, pode alterar o seu pedido como e quantas vezes achar necessário e só assim se for do seu agrado aprovar uma das artes.

Competição no conceito do negócio ©Shutterstock
Competição no conceito do negócio ©Shutterstock

Em uma terceira ocasião também temos alguns cursos de computação gráfica que anunciam como “design gráfico” e os seus alunos saem de lá aptos a utilizar os softwares de edição gráfica, e por isso, acreditam que são designers, assunto já tratado no Clube em um artigo anterior.

Unindo essas três situações ao qual a área é submetida vamos para outra etapa, vendo esses erros as pessoas que precisam de nós acreditam que o valor cobrado é muito alto, alguns pedem para que você faça o trabalho em troca de divulgação do mesmo, como se estivessem nos fazendo um favor, e isso não é justo, você vai a um consultório médico e diz que em troca da consulta irá falar bem dele para as pessoas? Você compra uma carne no açougue e diz que como pagamento irá falar que é de uma boa qualidade? Claro que não! E por que deve ser assim quando esses profissionais nos chamam para criar a identidade visual de seus estabelecimentos?

Espero que com esse artigo vocês possam refletir sobre o que acontece com a nossa área, no mais postem suas dúvidas, relatos e idéias com relação ao assunto, e continuem acompanhando os artigos do clube do design, para nós é sempre um prazer ajudá-los.

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Este post tem 11 comentários

  1. Bom dia , na realidade a desvalorização vem dos cursinhos e gráficas com sobrinhos…kkkkk….que dizem ser “designer” só porque aprenderam Corel , Illustrator, indesign e Photoshop, já acham que são designers, a realidade é que um designer cria arquiteta e executa um projeto com base em pesquisas , com conhecimento de causa e não um sobrinho que cria um logo sem nexo só para vender cartões de visita, culpado desse tipo de colapso no mercado é a abrangente proliferação de cursinho como Seven, SOS, Microlins e outros…Estácio que uma “faculdade”….na realidade um indústria que fábrica péssimos profissionais, Curso sério é ESDI e PUC, o resto…..é lixo!!!!!!!!!! DIGA NÃO AOS SOBRINHOS, DIGA NÃO AOS CURSINHOS E DIGA SIM A DESIGNERS DE VERDADE!!!!!

  2. Acredito que essa desvalorização do design está acontecendo por apenas dois fatores, que é a desvalorização do profissional (designer) com ele mesmo e claro, do cliente, por não dar valor a qualidade de nossos serviços.
    O simples fato de ter um “carinha” que faz mais barato, entrega o serviço em prazos que nós achamos impossíveis, acabam realmente conquistando o cliente, mas não pelo serviço/qualidade e sim pelo preço.
    Mas o cliente não sabe que por trás de todo serviço à um estudo técnico que nós designers sabemos que é fundamental para desenvolve-lo, pois seguimos a seguinte regra: “Tudo tem que ter um motivo ou razão de estar ali”, porque usar essas cores, formas, pontos (…) tudo isso nós designer levamos em consideração.

    Então deixo um recadinho para as pessoas que estão querendo contratar um designer;

    * CLIENTES, pensem duas vezes antes de procurar um serviço pelo preço, esteja ciente de que todo serviço quando desenvolvido por um designer profissional certamente está sendo pensado, calculado e estudado de forma técnica para atender as expectativas que você e o mercado exige, para fazer com que a sua empresa consiga bons resultados futuramente!
    ** DESIGNERs, sabemos que é um mercado que vem se complicando cada vez mais pelo fato de ter pessoas que acham que só porque sabem recortar um foto no PS já virou Designer, antes de pensar em “se desvalorizar” para conquistar o cliente, se valorize, valorize o seu colega, valorize a profissão design, não se prostitua por um serviço.

    Eu não tenho formação superior como Designer Gráfico (ainda/sou tecnólogo em comunicação visual) e estou pensando seriamente em cursar design, mas tenho um pouco de incerteza por não saber como sera o valor da profissão futuramente.

  3. Dois dos três motivos citados no artigo são atitudes do próprio profissional. Eu ainda acrescentaria um cliente mal acostumado a não pagar pelo projeto ou pagar valores irrisórios, tendo em vista o projetista ser comissionado pelo produtor ou construtor (nossos amigos publicitários e arquitetos sabem bem o que é isso). Ou seja, os próprios profissionais estragam o mercado, não dão valor ao próprio trabalho. Ainda acredito que, profissionais sérios, que desejam ser valorizados e pagos honestamente por seus trabalhos, podem se diferenciar pela qualidade do atendimento e compromisso com prazos – duas coisas muito difíceis de cumprir quando se é mal pago. Então galera, a mudança está na nossa mão mesmo, não adianta burocratizar nem colocar a culpa nos micreiros não… Eles até que podem ser úteis pra gente!

  4. Se alguém se passa por médico, sem ter formação (e o registro CRM), por engenheiro ou arquiteto sem ter formação (e o registro CREA), entre outras profissões que necessitam de um registro para poder exercer a função, e a prática dessas profissões sem o tal registro acarreta em crime, processo e muitas vezes até prisão, por que na área do Design não pode ser da mesma maneira? Para que possa ser regulamentada e mais valorizada creio que isso seria uma saída, a obrigatoriedade de formação Superior ou Técnica para o exercício da função, não que isso seja uma prerrogativa de qualidade no serviço, pq existem muitos não formados que trabalham com excelência, melhor do que muitos formados, mas pelo menos seria uma situação que poderia equiparar tanto os profissonas, quanto os valores, por que a pessoa que tem custo para estudar e se qualificar, se testar em busca de um registro para exercer uma função jamais vai descartar isso na hora de estipular um valor pelo seu serviço, e um cliente atento também procuraria profissionais gabaritados para contratar, na minha humilde opinião…

    1. Sergio, acho que ninguém disse que “não pode ser regulamentada”, na verdade, a discussão sobre isso ferveu no final de 2014 quando a regulamentação se tornou mais popular (por causa do projeto de lei). O que se debate é o fato de esta regulamentação não ser, como você mesmo disse, prerrogativa de qualidade.
      Existem centenas de profissões que não precisam de um registro ou orgão regulador, e que funcionam muito bem, por que o design também não pode ser uma destas? Você observa que temos dois lados de uma mesma moeda. Eu, como arte-finalista, e com 12 anos de experiência, estaria de fora desta, pois não sou formado em design, agora que estou em formação, e em outra área completamente diferente, o merketing.
      Eu sou do grupo que acha que criar sindicado, e taxas de registro, é burocratizar uma profissão que funciona muito bem, e que não precisa “aburguesar” ou impor restrições deste tipo.
      A profissão é, em sua maior parte, criativa, e assim como grandes músicos se tornam grandes músicos sem ter passado por uma faculdade, eu acredito que o design também tem um pouco disso: Temos excelentes profissionais formados, e também temos péssimos profissionais formados… e a culpa não é deles… é das faculdades que em sua maioria só estão de olho no seu bolso!

  5. Então, Rafael. O que acontece é que o erro não é só por parte deles. Eu já vi na internet uma propaganda de um curso de Design Gráfico que abordava somente Corel Draw e Photoshop. A nossa área está sendo bombardeada por falsos conceitos por toda a parte.
    Falta também um órgão que defenda o Design Gráfico e que represente os profissionais da nossa área.
    Eu sou da opinião de que o cara precisaria de um registro (igual à OAB, CRM) para exercer a profissão. Mas não sei o quanto é viável e necessário.

    1. Serio que vc ta pedindo interversão estatal? O cara que fizer “arte” sem “crm” vai ser extorquido pelo estado ou ter seu carcere privado? Isso so cria uma falsa escassez e gera desemprego. O problema do Brasil eh cultural, algo muito difícil de mudar quando crianças desde muito cedo sao submetidas à bestialidade e ideias marxistas nas escolas, como essa que vc propõe. Ngm da valor a cultura de verdade.

  6. Valeu Marcos Vinicius, André ai que está, normalmente estas pessoas ou fizeram cursos de computação gráfica ou assistiram alguns tutoriais ensinando a trabalhar em softwares de edição gráfica e passaram a achar que são designers, coisa que estão absolutamente longe de ser.

  7. Realmente, a área do Design Gráfico está desvalorizada, apesar de ser uma área em plena ascensão como alguns especialistas dizem.
    O que também desvaloriza a área é o tal “sobrinho de 14 anos”.

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