Diário de um arte-finalista #7 – Quero fazer uma logomarca… logotipo… sei lá!

Esta semana está um aperto meu diário querido. Se o designer é pobre, imagine o arte-finalista… Estava sem internet em casa já há quase uma semana, e não é porque eu quero ou algum problema técnico. É problema de carteira mesmo, este mês tive que apertar o cinto para não ficar ainda mais no vermelho. Preciso urgentemente ganhar na loteria. 😀

Há um tempão atrás, quando eu ainda estudava sobre o processo de criação de marcas, me deparei com a épica batalha entre os termos logotipo e logomarca. Existem muitos sites e blogs espalhados pela web que defendem (e até ofendem) a utilização correta dos termos. Ainda estes dias eu andei revisando alguns comentários que fiz em um destes sites sobre o assunto, e a discussão ainda era assídua, e envolvia as pessoas e seus nervos..

Afinal de contas, é correto dizer “Logomarca”?

Luta de Box ©Shutterstock
Luta de Box ©Shutterstock

A resposta pode ser discutida mais uma vez aos tapas aqui, nos comentários, nas redes sociais ou onde quer que seja. Há estudos e mais estudos que garantem que o termo está errado, outros que desmentem e afirmam a legitimidade da palavra também de forma coerente e sobre evidências literárias. Se você fizer uma busca rápida no Google pelos termos “logotipo ou logomarca” vai conseguir ver do que eu estou falando.

Não estou aqui para colocar mais um destes pontos de vista que se baseiam nas palavras que derivam do latim, do grego, do árabe ou seja lá qual for o idioma. Quero falar sobre como isto afeta o mercado, e se logotipo ou logomarca fazem a diferença para quem compra o produto.

Quero começar com um exemplo muito prático sobre o que estou pretendendo mostrar.

Dona Maria precisa lavar a louça de casa, mas está sem alguns produtos de limpeza e precisa comprá-los. Pega uns trocados e vai até a mercearia da esquina, do seu Pedro. Chegando lá ela pede uma barra de sabão grosso, um pacote de Bombril, e aproveita para comprar um litro de Qiboa pois no dia seguinte irá lavar a roupa.

Seu Pedro prontamente lhe traz o sabão, um pacote de palhas de aço da marca Assolan e um litro de água sanitária da marca Econômico.

Esta situação do cotidiano é mais do que comum, e se você conseguiu pescar a mensagem, com certeza conseguiu identificar que embora a dona Maria tenha pedido um pacote de Bombril, o que ela realmente quis dizer é que queria palhas de aço, então tanto fez se o dono da mercearia lhe deu um pacote do produto de uma marca diferente da que ela tinha usado para referenciar o seu pedido.

Outro exemplo clássico vemos diariamente andando em qualquer centro comercial, que é a utilização de termos as vezes até errôneos do ponto de vista literal, para se fazer propaganda e atrair a atenção de potenciais clientes. Quem aí nunca viu uma plaquinha na frente de um estabelecimento escrito “Xerox” e entendeu que ali se tiram, de fato “cópias”? Mas porque ele simplesmente não usou o termo certo? Cópias!?

É justamente neste ponto que eu queria chegar!

Por mais que os termos logotipo, ou logomarca possam disputar a atenção de publicitários e designers no mundo profissional, para o cliente, que é quem paga pelo produto, isso não faz a mínima diferença. Pra ele tanto faz se é um logotipo, uma logomarca, uma identidade visual, o que importa pra ele é que ele espera que você construa a marca de sua empresa, com símbolos, textos, algo que ele vai usar em seus produtos, em seu site para identificar o seu negócio. Então quando ele diz “logomarca” é disso que ele está falando.

Como dizia aquela propaganda: “Para bom entendedor, meia palavra basta”, e, diga-se de passagem, você sabe exatamente o que a palavra “logomarca” quer dizer, sabemos que o termo já está presente no vocabulário de praticamente todo brasileiro, e inclusive já até foi incluída em alguns dos dicionários mais conhecidos nacionalmente. Então não podemos chegar à conclusão que discutir sobre isso é uma completa perda de tempo?

Ok, ok, eu sei que você pode defender com unhas e dentes que não podemos simplesmente aceitar que alguém fale errado na nossa frente, e assumamos isso como certo só porque ele está falando. Mas este caso é uma das exceções, onde o uso do termo está tão difundido que pode ser adotado como estratégia de marketing para qualquer estabelecimento comercial do segmento. Eu mesmo já presenciei vários veículos publicitários usando o termo “Logomarca”, já vi até o pessoal da alta mídia, em jornais famosos do país usarem o mesmo termo. Portanto, é mais do que válido que levemos isso em consideração.

Se você estampar em letras garrafais em um outdoor que sua empresa oferece a melhor “escritório de criação de logomarcas” da região, os designers vão rir, os publicitários vão aplaudir, mas o seu cliente vai entender perfeitamente do que se trata. E é este o objetivo! Fazer com que a mensagem seja transmitida de forma eficiente.

Portanto, se Bombril pode ser usado no lugar de palha de aço. Se Prestobarba pode ser usado no lugar de aparelho de barbear. Se Gilette pode ser usado no lugar de lâmina. Se Xerox pode ser usado no lugar de cópias. Se Durepoxi pode ser usado no lugar de poliepóxido (ou epóxi).

Porque logomarca não pode, ou não deve, ser usado para se falar de logotipos?

Deixo-vos com esta questão.

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Este post tem 0 comentários

  1. Texto muito bem explicativo. Muitos profissionais da areá perdem tempo discutindo questões tal como o texto acima, quem é melhor Corel ou AI ou PSD, e esquecem o ponto principal que é o trabalho final e a satisfação do cliente, onde o produto que nos vendemos faça jus a de promover a mensagem para qual foi criado.

    Ocorre em vários casos o estrelismo de que eu sou, eu faço, eu entendo….

  2. Concordo plenamente. Temos mais coisas pra se preocupar.. Isso é uma besteira, o importante é o cliente entender a msg

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